Hipérbole Política
"Exagerar é a minha profissão"
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Como você contribui para o estupro de mulheres, ou quando a culpa é coletiva, ela não é de ninguém*
domingo, 13 de novembro de 2011
Nós queremos Barrabás!
Depois de um bom passeio pelo St James Park, resolvi seguir uma parada de comemoração do Remembrance Sunday (Domingo da Lembrança), que coincide com o segundo domingo de Novembro e a semana do dia 11 de novembro, que foi a data de assinatura do Armistício a Primeira Guerra Mundial e os britânicos saem às ruas para, de várias maneiras, homenagearem os que lutaram e morreram pela pátria nos conflitos armados travados pela Grã-Bretanha. A caminhada me levou de volta à Trafalgar Square e acabei entrando na National Galery. Lá, me deparei com uma obra do pintor holandês Rembrandt (um estudo) representando a passagem bíblica em que Pilatos apresenta o prisioneiro Jesus de Nazaré à multidão, chamada de “Ecce Homo”.
A imagem nesse pequeno quadro (54,5 X 44,5cm), muito forte e extremamente caricaturada na história e na filosofia ocidental, me levou a fazer algumas pequenas observações e alusões sobre a situação política brasileira e pensar mais sobre as reações que as pessoas vêm demonstrando nas redes sociais. Nessas “reflexões”, claro, estou me dando ao luxo de abusar um pouco do maniqueísmo cristão e tomar a figura do Cristo como um importante ator social, político e histórico.
Jesus foi um manifestante. Autodeclarado Rei dos Judeus, promoveu uma grande arregimentação de seguidores e conduziu uma série de manifestações. Essas manifestações incluíram: a violação da propriedade pública e privada ao destruir as barracas de comércio no Templo de Jerusalém; a desobediência civil, ao se colocar em frente aos algozes que cumpririam a pena de apedrejamento da mulher adúltera; e foi uma importante figura política de confrontação do regime político da época.
Alguns mais exaltados vão apontá-lo, ainda, como conspirador (reunir discípulos para confrontar o regime), asceta (utilizar a fé judaica para trazer para si o único caminho para o Pai, os engraçadinho chamarão isso de nepotismo), vê-lo como alguém que exercia irregularmente a medicina (milagres????) e, talvez, até que fosse pego por alguma blitz da lei seca, ao guiar o seu jumentinho depois de tanto bom vinho nas Bodas de Caná.
Afastando-me dos extremismos e de toda uma mitologia cristã, de um ponto de vista político e social, Jesus foi um grande defensor de três princípios básicos da Democracia: igualdade, liberdade e fraternidade. Suas ações representaram um potencial de manifestação e mobilização de pessoas que, 500 anos depois, culturalmente destruiu o Império Romano.
Por esse poder de manifestação, o Messias foi apresentado pelo Estado Romano ao público judeu, que decidiu por sua culpa e execução e pela libertação de Barrabás (aparentemente seguindo a tradição de poder remir a pena de um condenado à época da Páscoa), o criminoso já condenado à morte.
Barrabás, nessa estória toda, representa a escolha do povo Judeu por um assassino (o mal) em detrimento de seu salvador (o bem) e tudo isso por quê? Provavelmente pelo fato de que um representava a efetividade da ordem (no fim, cumpre-se) e o outro a transgressão da ordem (utiliza-se de meios não tradicionais para manifestar-se), um era reconhecidamente um criminoso e o outro um baderneiro e, tolera-se o primeiro desde que contido, mas não o segundo.
Mas, saindo do maniqueísmo, o que isso tem a ver com o que se passa no Brasil? Na realidade nada, porém, como já disse, me dou o privilégio de fazer a alusão. Primeiro, mais polêmicos, os estudantes da USP, invadiram a propriedade do Estado e destruíram-na. Segundo, os estudantes da UnB, baderneiros, bagunçaram a sessão do Senado que “discutia” o projeto de Código Florestal. Terceiro, o tráfico de drogas arregimentou boa parte dos filhos das comunidades das favelas cariocas e trouxeram caos para o Rio de Janeiro impedindo o progresso da cidade e os grandes eventos esportivos.
Frente a isso, quais são as reações do nosso Estado e da nossa Sociedade? O Estado condenou os três. Contra os estudantes da USP, o Batalhão de Choque da PM; contra os estudantes da UnB tiros não letais de choque elétrico, contra a massa desempregada arregimentada nas favelas cariocas (Alemão, Rocinha, Vidigal...), as Forças Armadas.
Mas o que isso tem de errado? Pensado pela finalidade da ação, nada. Quem depreda o patrimônio público ou privado deve responder criminal e civilmente por suas ações; as polícias podem acompanhar e conter manifestações e evitar seus excessos; e o Estado tem que combater o crime organizado e o tráfico de drogas, permitido que sem a violência a sociedade viva com uma melhor qualidade de vida.

Pensando pelos meios há muito que ser dito, pois em uma sociedade democrática, observar os meios é a forma de se verificar a legitimidade do Estado em suas ações. Assim, nessa outra perspectiva, tem-se um problema quando, contra aqueles que violaram e depredaram a propriedade, utiliza-se o Batalhão de Choque da Polícia Militar (destacamento especializado no tratamento de crimes violentos e do crime organizado) armado até os dentes. Colocar um contingente de 300 homens contra 75 estudantes e depois mantê-los presos em um ônibus por mais de 15 horas debaixo de sol quente rompe com qualquer parâmetro de bom senso, de humanidade e muito menos de democracia.
Contra os manifestantes que protestavam contra o projeto do Código Florestal que era discutido no Senado, utilizou-se a arma não letal, o choque elétrico. O problema é que desobediência civil não se combate com violência física! Combate-se com presença, ação e debate por parte do Estado. Protestar contra um dos processos legislativos mais elitistas que se conhece é extremamente legítimo e isso não pode ser reprimido dessa forma se estamos querendo tornar o nosso processo político (e legislar é principal nele) mais democrático.

Por fim, alardear por meio da mídia de massa que a favela será invadida, para que os traficantes “fujam” antes da ocupação e, depois, usar as forças armadas (no caso a marinha) contra a própria população civil é, simplesmente, inadmissível em uma ordem constitucional decente. Na Rocinha ainda foi “menos pior” pelo fato de que a incolumidade física das pessoas foi preservada, embora o terror psicológico promovido por tráfico e pelo Estado deva ter sido insuportável. Lembrando da ocupação do Complexo do Alemão há um ano, as forças armadas e o Estado mataram, dentre traficantes e pais e família, cerca de 300 pessoas.
E a sociedade? Bem, pela maioria das reportagens, dos comentários às notícias dos jornais online e das manifestações nas redes sociais, escolheu Barrabás. Optando pela cega efetividade da ordem, a Sociedade Brasileira está comprando a ilusão desnecessária (para usar o termo da Camilla) de que os meios utilizados “tem que ser esses”, pois não há alternativa.
Me esquivando de qualquer crítica aos extremistas de direita (esses não merecem ser respondidos) que defendem abertamente a truculência e os métodos anti-democráticos e, pior, clamam pelo retorno dos “bons tempos da ditadura”, me preocupa o fato de somente escutar a aberração acrítica de que “para quem descumpriu a lei, todo o rigor da ação do Estado”. Apoiado nesse tipo de opinião, o Estado lava suas mãos e se mantém no mesmo patamar, como não precisa usar a democracia contra quem o contesta, também não precisa com que o apoia.
Mas não se preocupem, fiquem com Barrabás. Aceitem que nosso Estado utilize táticas não democráticas e mantenham (sim, a responsabilidade é nossa, não do Estado) mais 500 anos dessa nossa realidade político-social. A mudança há de ocorrer, a democracia real há de se instaurar e romper com tamanha afronta à liberdade, à igualdade e à fraternidade, só poderia ser mais rápido! Como Barrabás e Pilatos que não viram o fim de Roma, nesse passo, não veremos nosso se concretizar como uma Democracia... No meu caso, me resta falar!
Londres, 13 de novembro de 2011
Follow @Mozzeindomingo, 14 de fevereiro de 2010
Vontade de Potência como Liberdade, ou sobre porque um tomate não é melhor que a felicidade eterna
O silogismo, base do pensamento dialético e de toda a filosofia ocidental – greco-romana – constitui o cerne de um sistema de pensamento dominante. Esse sistema, de sínteses provenientes de confrontação de oposições, como se vê, não é incólume a mascaramentos, induções, ou mesmo ironia da linguagem – senão seria legítimo afirmar que um tomate é, de fato, melhor que a felicidade eterna – que, em última análise, conduzem essa filosofia à adoção de padrões conceituais-morais totalizadores e inibidores da livre expressão individual. É, portanto, sobre a negação dessa trágica forma de pensamento e de seus desdobramentos que Nietzsche conduz sua negação do pensamento ocidental.
A questão que envolve o juízo niilista debate-se com a “ingenuidade moral”[1] das “certezas

... se pudessem reconduzir todas as funções orgânicas a essa vontade de potência e nela também se encontrasse a solução da geração e nutrição – isto é um problema - , com isso se teria adquirido o direito de determinar toda força eficiente univocamente como: vontade de potência. O mundo visto de dentro, o mundo determinado e designado por seu ‘caráter inteligível’ – seria justamente ‘vontade de potência’, e nada além disso. (NIETZSCHE. 200:311. grifos do autor).
‘Eu sou a moral mesma, e nada além disto é moral!’ – aliás, com o auxílio de uma religião que se fazia a vontade dos mais sublimes apetites de animal-de-rebanho, e os adulava, chegou o ponto em que, mesmo nas instituições políticas e sociais, encontramos uma expressão cada vez mais visível dessa moral: o movimento democrático é o herdeiro do cristão. (NIETZSCHE. 2000:322. grifos do autor).
Contrário a isso, a expressão da nobreza individual, em Nietzsche, encontra-se no posicionamento de uma filosofia avessa à “degeneração geral do homem”, afirmativa da potência do livre-pensar em si, em oposição à “escravidão” moral do “rebanho” que se funda em um utilitarismo afeito a uma visão cética e, mesmo, pessimista do mundo.
A liberdade se dá, nessa perspectiva, na superação da (in) verdade absoluta que postula uma pretensa legalização – institucionalização – da natureza humana, seja através de suas revoluções, seja por meio de seu sistema ótimo e final da democracia cristã. Dessa forma, a felicidade eterna, a liberdade pela “vontade de potência”, está na satisfação dessa fome com esse tomate moderno e em sua excreção do pensamento individual.
São Paulo, 12 de novembro de 2009
[1] Todas as palavras e expressões inseridas entre aspas foram retiradas do texto: NIETZSCHE, F. Para Além do Bem e do Mal: prelúdio de uma filosofia do porvir. In. Os Pensadores: Nietzsche. São Paulo: Nova Cultural, 2000. p. 301-336, passin.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Poder e Liberdade em Shakespeare, ou a doutrina do morde e assopra
A noção de liberdade constrói-se em referência a um poder. Só há sentido em tratá-la, se há algo que possa constrangê-la. Dessa maneira, cabe ao príncipe a serenidade e a justiça necessárias à dosagem da virtude e da fortuna como elementos de um bom Governo.
Nesse contexto, será próspero o príncipe agraciado pela fortuna com a arte de tomar medidas extremas e, em certa medida tempestuosas, logo no início de seu governo. Assim, no início da dominação, após a conquista, convém que se reúnam os súditos e se lhes exponha os verdadeiros parâmetros de sua liberdade: “Vem. Acorrentarei teu pescoço aos pés. Beberás água do mar e, por alimento, terás mexilhões de água doce, raízes secas e cascas de frutos. Vem comigo” (SHAKESPEARE, 1991:95)[1].
Essa primeira impressão remete aos governados à fantástica realidade do governo. Apaziguada a comoção da investida no poder do novo príncipe e orientado o plano virtuoso do Status, cabe ao soberano afrouxar a mandíbula e arrefecer a mordedura. Reunidos novamente, ouvem os súditos a oferta da benevolência, condicionada a deveres:
Se te tratei com rigor excessivo, agoura encontras tua recompensa. [...] Então recebe minha filha, não apenas como oferta minha, mas como tua merecida conquista. Se, no entanto, desatares os laços de sua pureza antes de celebradas as cerimônias sagradas, o céu não haverá de derramar seu doce orvalho sobre esta aliança. E o ódio estéril, o desprezo e a discórdia hão de cobrir de espinhos vosso leito de núpcias. Assim, acabareis por detestá-lo” (SHAKEASPERE, 1991:119).
Dessa forma, em face dos direitos e deveres expressos, sela-se o contrato que permite a manutenção da ordem social e a garantia de sua segurança. Os governados, livres nesse contrato, o mantém sobre os dizeres:
Como espero dias serenos, filhos e vida longa para meu amor, nem mesmo o antro mais escuro, o lugar mais oportuno ou mais forte tentação será capaz de incendiar o meu desejo, para impedir essa celebração. Nesse dia, será como se o sol permanecesse eternamente no horizonte, e a noite acorrentada ao firmamento. (SHAKESPEARE, 1991:119/121).
Selado o compromisso do Status, o soberano, por seu ministério, confere aos súditos a devida proteção e o gozo da prosperidade, ordenando a seu leão alado: “Necessito de outra artimanha semelhante. Vai chamar os espíritos que mantenho às tuas ordens. Traze-os para cá. Pois quero oferecer a estes jovens uma demonstração de minha arte. Fiz esta promessa. Eles estão esperando” (SHAKESPEARE,1991:121).
A manutenção desse virtuoso governo, uma vez fundada na fortuna, dependerá, contudo, da justiça principesca. Disporá de um longo governo aquele que assopre o julgamento:
Embora tenham-me ferido com seus crimes, ainda assim farei prevalecer minha razão, e não a minha fúria. O perdão vale mais do que a vingança. Se arrependeram, não há por que insistir na punição. Vai soltá-los, Ariel. Vou quebrar o encantamento e devolver-lhes a razão. (SHAKESPEARE, 1991:139).
O desiderato racional redundará na prosperidade do governo. No entanto, a manutenção ordem aos governados dependura-se na linha tênue entre a força da mordida e a sutileza do assopro. Dessa forma, na menor variação do pêndulo da virtude e da concessão da liberdade: “Chegará o dia em que as torres coroadas de nuvens, os palácios resplandecentes, os templos solenes e mesmo o globo imenso, e tudo quanto lhe pertence, vão desaparecer sem deixar rastros, como se dissolveu esse espetáculo” (SHAKESPEARE,1991:129).
Ao soberano, de fato, cabe a arte da temperança. Da tempestade à bonança: a justiça selará o valor da liberdade. O contrato social resplandecerá seu poder na medida em que o súdito consinta à afirmação: “Serás tão livre quanto os ventos das montanhas. Mas deves seguir rigorosamente as minhas ordens” (SHAKESPEARE,1991:57).
São Paulo, 27 de setembro de 2009
[1] SHAKESPEARE, W. A Tempestade. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1991.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Na cama com Santo Agostinho, ou a tragédia da liberdade

A tragédia da liberdade se encontra na vontade. A tomada de decisão e a opção por um caminho diferente da natureza individual consistem no doloroso processo de manifestar-se na grande política. Assim, a expressão livre da vontade, contrariando o pessoal em nome do moral, o individual em nome do coletivo e o terreno em nome do divino, representa o ápice do auto-cerceamento da liberdade em prol de uma instituição simbólica superior.
Esse é o contexto da conversão agostiniana ao catolicismo e, alegoricamente, da sujeição individual ao Estado. O enfrentamento dos “prazeres da carne” e das questões relativas a um modo de vida mundano pelo Santo faz paralelo à constrição da liberdade individual pelo ser político-divino moderno. Em ambos os casos, a política ocorre no leito, na cama onde ora se trava a laboriante luxúria, ora se vive a epifania da revelação do superlativo.
Responder à vontade primária das relações de espécie, manifestando os veios individuais do estado de natureza, representa o exercício político da liberdade plena. Assim o viveu Agostinho em seu êxtase pré-conversão. Essa foi a sina das pequenas coletividades anteriores ao estabelecimento de regras cogentes que, aceitas por volição, minoraram o aspecto licencioso da existência. Antes disso,
[...] os próprios prazeres da vida humana não se apossam do coração do homem só por desgraças inesperadas e fortuitas, mas por moléstias previstas e voluntariamente procuradas. Não há prazer nenhum no comer e beber, se o incômodo da fome e da sede não o precede. (AGOSTINHO. 2000:206/207).
Estar na cama negra da política primordial correspondia, nessa perspectiva, ao pleno exercício da individualidade contra o coletivo, na possibilidade de não viver o incômodo por não se ter restrição ao saná-lo. A segunda política, por seu turno, precisou criar uma entidade superior para se fazer grande. Para tanto, um fator foi o grande responsável para o direcionamento agostiniano/individual ao leito branco da virtude: a atribuição de significado ao supremo uno.
Para Santo Agostinho, o cerceamento da vontade primária, da liberdade de exercício político fundamental, só se deu com a vontade de se submeter ao totalizante:
Com efeito, não só ir ao céu, mas também atingi-lo não são mais que o querer ir, mas um querer forte e total, não uma vontade tíbia que anda e desanda daqui para ali, que luta consigo mesma, erguendo-se num lado e caindo no outro. (AGOSTINHO. 2002:216. grifos do autor).
Tal Confissão evidencia que a liberdade pura só passa a ter significado quando submetida a algo capaz de dotar sentido à vontade. Tal ocorre, também, na opção pelo Estado da grande política. Nele, o leito limpo e puro do exercício coletivo das vontades só se realiza no ambiente pleno do cerceamento da liberdade individual em função daquilo que é supremo, pretensamente seguro.
A tragédia da liberdade, nesse contexto, não se encontra na sua ausência ou dissipação, mas na sua plenitude. Está no fato de o exercício dessa prerrogativa ser de tal abrangência que se permite, inclusive, vincular-se e restringir-se perante algo. A escolha pela atribuição de significado ao totalizante – ao Deus único, ou ao Estado – e pela sujeição da vontade individual a esse coletivo – o Deus de todos e o Estado para todos – estão no cerne dessa transição de uma política da individualidade para uma política do coletivo.
Por conseguinte, já não importa mais a plena liberdade, ao contrário, o que impera é a decisão de sujeitá-la ao poder sublime. A guerra de vontades é o que melhor demonstra esse paradoxo político, desvendando que Ser Livre pode tanto Ser-de-Vontade, como também pode Vontade-de-Ser. Na primeira forma vive-se a liberdade; na segunda, a tragédia da existência na grande política.
São Paulo, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Da idade da pedra à idade do cascalho...
sábado, 5 de julho de 2008
Tortalitarismo Democrático de Direito
Mas do que se trata uma política de totalidade? Bem, não é tão simples, nem pouco controverso, contudo, diz respeito ao seguinte: o Estado que constitucionalmente regula a atividade pública - leia-se estatal - dá liberdade à ação social privada - no Brasil, art. 5o. no. II da Constituição - legal e não criminosa, óbvio! Nesse sentido, os últimos anos da história brasileira - e mesmo mundial - têm testemunhado justamente o contrário; a cada dia que passa há uma nova lei para dizer o que se deve fazer, como proceder e, pior, justificando que o Estado faz isso para preservar o bem da sociedade, utilizando-se dos mecanismos democráticos de direito.
Antes que o Estado se esqueça, é bom lembrá-lo que os princípios que ainda valem enquanto projeto de sociedade são os iluministas, da modernidade - os pós-modernos que provem o contrário. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou seja, para assegurar uma pretensa igualdade de direito, suprime-se a liberdade, mandando-se a fraternidade para o quito dos infernos - e não se trata do Brasil - e volta-se à Maquiavel, justificando-se os meios pelos fins. Não só se volta ao absolutismo, como se permite absolutizar tudo, democraticamente é claro!
Os fatos! Quais seriam os fato?!? Para não cair no enciclopedismo, é bom citar apenas alguns mais grotescos: utilização da polícia para constranger o direito de manifestação; restringir o acesso a determinadas áreas a partir da cobrança de pedágios ou aplicação de multas; multas, multas e multas, para quem fumar, beber, não aceitar o toque de recolher da lei seca, fizer greve e, contendo o crescimento vegetativo, para quem nascer.
A questão do direito de manifestação é gritante - e só se comentará esse caso para não cair em

